Domingo, 31 de Agosto de 2025
(75) 99168-0053
Esportes Fluminense de Feira

“Esse problema não é meu, não é da SAF”, diz CEO André Oliveira sobre dívida do Fluminense de Feira

Feira de Santana

04/03/2025 09h22 Atualizada há 6 meses
Por: Hely Beltrão Fonte: Conectado News
Filemon Neto (Presidente da SAF), Zé Chico (Pres. Associação Fluminense de Feira F.C) e André Oliveira (CEO da SAF)
Filemon Neto (Presidente da SAF), Zé Chico (Pres. Associação Fluminense de Feira F.C) e André Oliveira (CEO da SAF)

Por Luiz Santos e Hely Beltrão

Nós últimos dias, um assunto que tem repercutido bastante no município é a grave situação financeira do Fluminense de Feira por conta de uma dívida trabalhista orçada em R$ 3 milhões de reais. No domingo (2), Rômulo Caribé Pereira, vice presidente do Conselho Fiscal do clube, relatou em entrevista ao Conectado News, que a situação era mais grave do que se estava divulgando e que uma das saídas seria a venda do CT (Centro de Treinamento).

Caribé também também levantou a possibilidade do pagamento da dívida pela SAF (Sociedade Anônima de Futebol), mas, como o contrato com o clube estipulava o pagamento em 10 anos, o que não foi aceito pela Justiça que fixou em 25 meses por motivo do clube ter descumprido acordos anteriores, estaria ocorrendo uma resistência da SAF em quitar a dívida.

O advogado e ex-presidente do Fluminense de Feira, Hercules Oliveira, afirmou que poderia usar de mecanismos técnicos e jurídicos para impedir o que chamou de "usurpação do patrimônio" e apontou como solução a venda da área da frente do CT que segundo ele está avaliada em R$ 8 milhões.

Após repercussão de ambas as reportagens, o CEO da SAF do Fluminense de Feira, André Oliveira afirmou que o CT já encontra-se penhorado desde 2020, ressaltou os investimentos que tem sido feitos no clube e criticou algumas pessoas a quem chamou de oportunistas.

"Fomos pegos de surpresa com essas declarações, porque estão muito distantes da verdade, vi a publicação no site de um advogado destoando de tudo que está acontecendo, a história verdadeira é a seguinte: o CT do Fluminense está penhorado na Justiça desde 2020, isso não é de agora, não é uma surpresa, ao contrário do que foi veiculado, é uma situação antiga, acontece que existe um contrato de compra da SAF que tem suas regras e cláusulas que devem ser respeitadas e por nossa parte, 100% dos compromissos têm sido honrados, inclusive superando o investimento previsto em alguns milhões de reais no exercício 2024. Acontece que o Fluminense já descumpriu dois acordos junto ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho), no contrato da SAF com o clube, o pagamento das dívidas trabalhistas está condicionada a entrada do RCE (Regime Centralizado de Execuções) que nos permite pagar em 120 meses livre de juros e multa, por conta dos descumprimentos de acordos anteriores, o RCE não foi aceito pela Justiça, um deles sob a gestão de Zé Chico, quando ele saiu da presidência, o clube deixou de honrar, sendo assim cancelado e chegou ao que está. Desta vez, por se tratar de uma verba trabalhista, a Justiça penhorou o CT em 2019 e agora o processo andou, as premissas do contrato, no item “cessão onerosa do CT”, diz que: a SAF utiliza o CT do Fluminense e paga por isso mensalmente. Uma vez que este bem seja tomado pela Justiça para quitação dessa dívida, como o RCE não foi aceito e a obrigação de pagamento pela SAF é de 10 anos. O que aconteceu: o pessoal da associação nos procurou e não o contrário, estamos neste momento 100% imbuídos no Campeonato Baiano Sub-20 e na preparação do time para o Campeonato Baiano da série B, essas são as nossas atividades prioritárias nesse momento.

Ao ser questionado se a SAF não poderia quitar a dívida, André disse que sim, mas ressaltou a questão dos custos e apontou uma solução para a questão.

"Pode, mas parece que as pessoas não entenderam ainda que isso é um negócio, qualquer empresário em sã consciência, um débito que eu pagaria em 10 anos, vou pagar em dois, ainda mais em um clube que neste momento requisita um grande volume de investimento. Nosso compromisso de investimento em 2024 era de R$ 1 Milhão, gastamos R$ 8 milhões. O clube é sócio em 10% com a SAF, então a SAF compra o CT, paga a dívida, o clube continua sendo sócio do CT e a SAF se propõe a doar para o clube uma área de igual tamanho e esse valor da dívida que está sendo pago a SAF credita ao clube, ou seja, em momento nenhum a SAF quis se usurpar disso, muito pelo contrário, apresentamos ao clube uma solução que acreditamos ser conciliadora, onde o clube se livra da dívida, tem emprestado o valor, ganha uma outra área e nos comprometemos a manter quatro salários mínimos para as manutenções diversas do clube, como secretária, contador entre outras coisas que a associação precisa ter".

Ao ser indagado de onde seria o terreno, André respondeu que a SAF ainda não possui, mas que se tivesse seria muiuto mais viável dar as costas e constuir um novo CT.

"A área será procurada e comprada, estamos nos propondo a fazer, não temos esse local, até porque se tivesse, daria as costas para esse problema e construiria um novo CT. Pensamos em nos reunir com jurídico da SAF, porque está tudo aí, ninguém aparece para fazer nada, de repente aparecem os salvadores da pátria, que pensam que todos agem como eles, que todos querem se aproveitar, fazer coisa errada, e dizem: temos uma solução. Para a SAF seria muito mais fácil comprar um terreno e construir um CT e largar, esse problema não é meu, não é da SAF, inclusive no contrato da SAF a parte de cessão onerosa do CT, nem pôde ocorrer,  porque o CT já estava penhorado".

Sobre as informações não confirmadas de que o valor do local seria de R$ 20 milhões, André rebateu, classificando a informação como esdrúxula e absurda, lembrando que a Justiça avaliou o terreo em R$ 2 milhões e 800 mil.

"A Justiça avaliou o terreno em R$ 2 milhões e 800 mil. Existe uma área ao lado do CT, anunciada com a placa imensa de 141 tarefas sendo vendidas por R$ 7 milhões, essa informação de que o terreno do CT vale R$ 20 milhões é absurda e esdrúxula. No meio empresarial, não estou acostumado a ver esse tipo de coisa, de repente, aparece todo mundo que brota do chão para pegar carona em um problema com o intuito de aparecer e não de resolver. Existem dois caminhos, que são claros: A SAF tem um contrato com o Fluminense, que de sua parte, está sendo cumprido integralmente, inclusive, mesmo com todo esse problema, reformamos o CT, iluminamos campo, vestiário, compramos equipamento, estamos reformando o segundo campo de um CT que nem é nosso e que pode ser perdido mas não paramos, seguimos fazendo o certo, porque contrato é para ser cumprido. Porém, não somos filantropos, não estamos nesse negócio só por amor ao clube, mas para fazer dinheiro, não tem sentido, em 2024 terminamos o ano com resultado negativo, de mais de R$ 8 milhões, por que o Fluminense não tem receita, e é por isso que o clube estava falido, porque sem dinheiro, faz como"?, concluiu.

1 comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
José Carlos dos SantosHá 6 meses Feira de SantanaFazer SAF com empresários medíocres é o que dá, não tem capacidade financeira de pagar um débito em 25 meses, necessitando de 10 anos.
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.