Terça, 24 de Maio de 2022
(75) 99168-0053
Artigo Covid

Presidente Bolsonaro, por que essa “tara” por mortes?

Por Carlos Alberto

15/01/2022 06h25 Atualizada há 4 meses
Por: Ana Meire Fonte: Conectado News
Foto Getty imagens
Foto Getty imagens

Que o presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro (PL), sempre foi um oponente à vacinação contra a Covid-19, disso o País e o mundo está cansado de saber. O que talvez algumas pessoas - quero dizer, os “per”seguidores (assim que refiro-me às pessoas que “seguem” Bolsonaro) - continuam defendendo, assim como o próprio presidente, é que a redução do número de mortes pela doença no mundo e no Brasil não é resultado da vacinação, mas sim da “imunidade de rebanho”.

Enquanto governos estaduais e prefeitos estão voltando a adotar medidas restritivas para tentar conter a variante ômicron da Covid-19, em entrevista recente do presidente à Gazeta Brasil, divulgada na quarta-feira (12), e referindo-se a essas medidas, Bolsonaro afirmou “Eles estão dando uma cartada final, como se fossem os salvadores da pátria. Querem fechar tudo agora. No nosso entendimendo, o que está salvando o Brasil é a imunidade de rebanho. Eu, por exemplo, não estou vacinado. Estou muito bem”, disse. Para o presidente "A imunidade de rebanho é uma realidade. A pessoa que se imuniza com o vírus tem muito mais anticorpos do que com vacina", completou, “Dr. Jair Messias Bolsonaro”.

O QUE É IMUNIDADE DE REBANHO?

Fato é que com a pandemia da Covid-19, fomos levados a (re)visitar dicionários (sejam físicos ou virtuais) atrás de informações que nos levem a familiarizar com vários novos conceitos, os quais passaram a fazer parte das conversas. Um desses conceitos que se destacou foi o da IMUNIDADE DE REBANHO OU IMUNIDADE COLETIVA. Mas o que significa isso?

A IMUNIDADE DE REBANHO, segundo a literatura, “é o termo que define o momento em que a cadeia de transmissão de uma doença dentro de um grupo populacional é interrompida por se ter atingido um grande percentual de indivíduos já imunizados contra o agente infeccioso. Esta imunidade, ou resistência à infecção, pode ser adquirida pelos indivíduos que se recuperaram, após sofrer a doença, ou foram vacinados contra o agente causador”.

Cabe destacar que esse conceito não é novo, e quando se trata da infecção por SARS-CoV-2 (causador da COVID-19), tem dividido opiniões de pesquisadores da área. Para alguns, a imunidade de rebanho neste contexto é mais do que atingir os 70% de pessoas imunizadas, conforme indica a literatura. Outro ponto de tensão nas discussões é que a imunidade de rebanho foi erroneamente adotada por alguns países como estratégia contra a pandemia, ao invés de ser vista apenas como uma consequência da pandemia.

De acordo com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), a IMUNIDADE DE REBANHO “É argumento falacioso”. Como exemplo, a Associação faz referência à Suécia, que, em 2021, adotou medidas diferentes dos vizinhos europeus para lidar com a pandemia de Covid-19: o país escandinavo, que possui cerca de 10,23 milhões de habitantes, apostou na “imunidade de rebanho”, e não decretou lockdown ou restringiu a circulação de seus moradores. No meio daquele ano,  era o 2º país da Europa com mais casos de contaminação por habitantes. Seja como for, o país chegou a ser citado como exemplo a ser seguido, pelo presidente Jair Bolsonaro, maior defensor dessa tese por aqui.

Por aqui, apesar do Ministério da Saúde no Brasil indicar a vacinação contra o vírus como sendo a melhor forma de obter maior proteção e evitar internações decorrentes de casos graves e mortes; apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, ter analisado por 21 dias (análise técnica criteriosa de dados e estudos clínicos conduzidos pelo laboratório, quando a equipe da Agência garantiu que a vacina é segura e eficaz para o público infantil, conforme solicitado pela fabricante Pfizer e autorizado pela Anvisa), o chefe do executivo brasileiro continua menosprezando a vacinação. 

Bom lembrar que foi esse mesmo Ministério que fez de tudo (consulta pública, audiência pública, além de tentar tantas outras manobras) para atrasar o máximo a vacinação de crianças contra a Covid-19 desde 16 de dezembro de 2021 quando a Anvisa aprovou o feito, até esta data, 14 de janeiro de 2021, quando os primeiros lotes da vacina para esse público começaram a ser distribuídos aos estados, que definirão seus cronogramas de vacinação.  

Desta feita, ao referir-se à nova variante - ômicron -, Bolsonaro afirma “A ômicron, que já espalhou pelo mundo todo, como as próprias pessoas que entendem de verdade dizem, deve ter uma capacidade de se difundir muito grande, mas de letalidade muito pequena", e que a ômicron “é bem vinda”.

Segundo matéria publicada no site www.otempo.com.br na quarta-feira, 12, um estudo realizado pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), na Ingalterra, publicada em dezembro, revela que duas doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19 fornecem 83,7% de proteção contra o agravamento da doença, com hospitalizações e mortes de pessoas infectadas pela variante ômicron. Outra vacina utilizada no Brasil, a AstraZeneca reduz o risco de doença grave em 77,1%. E quanto à Coronavac, na quarta-feira (12) o Instituto Butantan demonstrou que as duas doses da vacina neutralizam a variante ômicron, segundo informações da CNN Brasil.

Embora continue morrendo gente no Brasil por covid-19 (já são 620.830 vítimas desde o início da pandemia no país, com 97.989 novos casos nas últimas 24 horas); embora haja (no mundo todo) comprovação científica da eficácia das vacinas Covid-19; embora a mídia noticie que um terço dos estados já está em alerta por leitos de UTI específicos para covid-19, como de costume, sem apresentar dados das acusações e que faz e procurando culpados para seus próprios erros; e agora dizendo que “A Ômicron não tem matado ninguém. O que morreu aqui em Goiás não foi de Ômicron… Com Ômicron… Na verdade, ele foi com Ômicron, e não de Ômicron. Ele já tinha problemas seríssimos, em especial nos pulmões. E acabou falecendo”, segundo Bolsonaro.

Diante do que está dito, resta a este humilde brasileiro finalizar parafraseando o próprio presidente, quando se referiu a Anvisa, e questioná-lo: PRESIDENTE BOLSONARO, POR QUE ESSA “TARA” POR MORTES?    

 

Por Carlos Alberto professor e radialista 

 

2 comentários
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.