O recente anúncio do chamado “tarifaço” por parte do presidente dos Estados Unidos, que prevê o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros de 10% para 50% a partir de 1º de agosto, gerou forte preocupação entre empresários do setor industrial. Em entrevista ao site Conectado News, o presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana, Antônio Geraldo Moraes Pires, avaliou que a medida pode trazer consequências graves para a competitividade da indústria brasileira e baiana.
Segundo ele, o impacto será direto sobre a economia local, uma vez que os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais da Bahia. “Para se ter uma ideia, em 2024, a balança comercial de bens já registrava um déficit de 882 milhões de dólares, e só no primeiro semestre de 2025 esse número já atinge 1,7 bilhão, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI)”, afirmou Geraldo.
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Feira de Santana, que possui um polo industrial expressivo, também pode sentir os efeitos da medida. “Exportamos produtos como sucos, frutas, manteiga de cacau, café e pneus. Com esse aumento de tarifas, perdemos competitividade e há o risco real de desemprego, já que a indústria não conseguirá arcar com os novos custos”, explicou.
Geraldo ainda lembrou que, enquanto as tarifas sobre produtos brasileiros aumentam, países como a Argentina têm conseguido reduções, o que pode levar o mercado norte-americano a buscar alternativas fora do Brasil.
“A CNI, através do presidente Ricardo Albano, já demonstrou preocupação com os efeitos na geração de empregos e no crescimento econômico. Ele defende que esse impasse seja resolvido com equilíbrio e diálogo técnico, sem contaminação política, pois os efeitos são práticos e imediatos”, destacou.
Questionado sobre possíveis medidas locais, o presidente do Centro das Indústrias afirmou que, embora a decisão seja de âmbito internacional, os empresários já discutem formas de se adaptar ao cenário. “A notícia pegou todos de surpresa. A solução, infelizmente, não está em nossas mãos, mas confiamos que a CNI, que já está mobilizada em Brasília, possa interceder junto ao governo federal para tentar reverter ou mitigar os efeitos dessa medida”, completou.
Com informações: Luiz Santos
Por: Mayara Nailanne
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