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Feira de Santana Contabilidade Popula

Seminário de Contabilidade Popular reúne feirantes, universidade e ONGs na Marechal Deodoro

Evento marca encerramento de curso nacional e reforça importância do associativismo e da organização financeira na economia popular

10/07/2025 10h01 Atualizada há 2 meses
Por: Mayara Naylanne
Crédito: Onildo Rodrigues
Crédito: Onildo Rodrigues

Um encontro marcado pela troca de saberes, fortalecimento da luta popular e valorização do trabalho coletivo. Foi assim o seminário de contabilidade popular realizado na Feira da Marechal Deodoro, em Feira de Santana. O evento contou com a participação de feirantes, representantes da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), ONGs como a Capina, autoridades municipais e integrantes da Rede Contar – uma articulação nacional voltada à economia popular.

A iniciativa faz parte do encerramento de um curso online promovido em todo o Brasil, que reuniu profissionais das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, e agora ganha uma etapa presencial com atividades práticas, rodas de conversa e o programa "Chá com Zé", idealizado para dialogar sobre associativismo e gestão popular.

Foto: Onildo Rodrigues 

Para Flávia Pitta, uma das organizadoras e integrante da Incubadora de Iniciativas da Economia Popular e Solidária da UEFS, o seminário é um marco importante para o fortalecimento da Feira da Marechal e da luta dos feirantes.

“A gente aprende muito com a luta da Marechal. Eles conseguiram se manter aqui, mesmo quando foram retirados do centro da cidade. Agora criaram uma associação, o que é um amadurecimento dessa luta. Esse evento discute contabilidade popular, direito, gestão, tudo com uma linguagem acessível. O objetivo é fazer com que esse conhecimento da universidade sirva de fato para o povo”, afirmou Flávia.

Ela reforça que dominar a contabilidade e o direito é também uma forma de resistência. “A gente precisa mudar a economia, o direito, a contabilidade. E só com luta e organização isso é possível. Os feirantes precisam saber o que compram, como vendem, como economizam. Isso ajuda a organizar a vida financeira e fortalece as associações”.

Foto: Onildo Rodrigues

O secretário de Agricultura, Silvanei Araújo, também esteve presente no evento e destacou as ações da prefeitura em apoio à Marechal, como a entrega de barracas padronizadas, melhorias estruturais e diálogo com a associação.

“A Marechal não é só uma feira. Aqui tem cultura, tem famílias sendo construídas. Estamos trazendo qualificação, organização, kit feirante e melhorias estruturais. O objetivo é tornar este espaço um verdadeiro patrimônio de Feira de Santana”, declarou.

Foto: Onildo Rodrigues 

Edneide Ribeiro, mais conhecida como Mocinha, presidente da recém-criada Associação dos Feirantes da Marechal, celebrou o momento como mais um passo importante na luta pela permanência e valorização da feira.

“A nossa associação surgiu do coletivo de luta. E esse seminário é um aprendizado para todos nós. Precisamos nos organizar, saber o que estamos comprando e vendendo. Não pode ser só comprar, botar na banca e vender. É preciso ter controle e planejamento”, destacou.

Foto: Onildo Rodrigues 

Presente no seminário, o vereador Professor Ivamberg ressaltou a relevância da contabilidade popular e do associativismo como estratégias para garantir autonomia financeira e representatividade. “Muitas vezes os feirantes fazem tudo por instinto. Com o conhecimento científico, tudo pode melhorar. Já há uma lei municipal que reconhece a Feira da Marechal como patrimônio imaterial. O associativismo é a força que une e fortalece essa luta junto ao poder público”.

Foto: Onildo Rodrigues 

A ONG Capina, representada por Malu Azevedo e Rosiane, também destacou a importância da atividade presencial para conhecer realidades como a da Marechal. A entidade atua desde 2021 com formação em contabilidade popular e ajudou a articular a Rede Contar.

“Esse seminário fecha um curso nacional gratuito que formou contadores e profissionais de áreas correlatas. A Marechal simboliza a resistência dos feirantes contra a invisibilização do trabalho popular. Viemos conhecer essa luta e levar essa experiência para outros territórios no Brasil”, disse Rosiane.

Malu completou:. As feiras populares são espaços de trabalho e cultura, mas muitas vezes são tratadas com descaso. A contabilidade é uma ferramenta de autonomia. Quando o feirante entende suas finanças, ele melhora sua qualidade de vida e fortalece sua organização”.

O seminário segue com atividades até o fim da semana, consolidando parcerias e propostas para ampliar o acesso ao conhecimento e a valorização da economia popular.

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