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Artigo Covid

Vacinação de crianças: consulta rápida do presidente é tempo perdido

Por Carlos Alberto

07/01/2022 08h05 Atualizada há 4 meses
Por: Ana Meire Fonte: Conectado News
Foto Divulgação
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Deu na mídia na quarta-feira, 5 e quinta-feira, 6: “A maioria das pessoas que participaram da consulta pública sobre vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 é contrária à obrigatoriedade de prescrição médica para imunização”. Essa informação foi divulgada pela secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo na terça-feira, 4, durante audiência pública sobre o tema”.

Sobre o resultado da consulta teceremos comentários mais a frente. Antes, porém, vale relembrar que em 16 de dezembro próximo passado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou  o uso do imunizante Pfizer para o público infantil (crianças de 5 a 11 anos). Sobre o assunto, o Ministério da Saúde disse que a vacinação não deveria ser obrigatória e, para a aplicação do imunizante nesta faixa etária, deveria ser exigida prescrição médica e autorização dos pais ou responsáveis, mediante assinatura de termo de assentimento (consentimento).

Baseado em dados científicos e especificando o imunizante, ou seja, não tomando como base qualquer um dos imunizantes que estão sendo utilizados no mundo para combater a Covid-19, para a aprovação da Pfizer, neste caso, disse, na oportunidade, o gerente geral de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, “Com base na totalidade das evidências científicas disponíveis, a vacina Pfizer-BioNTech, quando administrada no esquema de duas doses em crianças de 5 a 11 anos de idade, pode ser eficaz na prevenção de doenças graves, potencialmente fatais ou condições que podem ser causadas pelo SARS-CoV-2”.

Ainda de acordo com gerente as análises contaram com a participação de diversos especialistas tanto da Anvisa como de outras entidades. “Verificamos segurança e tolerabilidade, em uma primeira fase. Nela foram aplicadas doses diferentes. Com base no resultado, chegamos à conclusão de que deveriam ser aplicadas 10 microgramas, quantidade inferior à aplicada em adultos”. Ou seja, mais uma vez, obviamente, a Agência, que atua no controle sanitário de produtos nacionais e importados e de alguns estabelecimentos, cumpre seu papel de garantidor que esses mesmos produtos sejam seguros, de qualidade e com eficácia comprovada.

Sempre relutando contra a vacinação seja em adultos, inicialmente, e agora em crianças de 5 a 11 anos, e desconsiderando as recomendações da Anvisa, o governo federal, através do ministério da Saúde, na contramão da história de mais de 30 países que já vacinam esse público, somente em 23 de dezembro pp. abriu processo consultivo para a sociedade sobre imunização contra a Covid-19 do público de 5 a 11 anos, a popular consulta pública. O resultado mostrou que a maioria foi contra exigir receita para vacina de Covid em crianças. Vale destacar que a consulta pública foi muito criticada por entidades e especialistas da área, que, segundo afirmaram, “confundia muito mais que explicava”.

Ato contínuo, o governo federal promoveu na terça-feira, 4, uma audiência pública para discutir a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19. De acordo com o Ministério da Saúde, a audiência deveria "promover um debate com especialistas na área de saúde", "a fim de obter informações para nortear a estratégia de operacionalização e tomada de decisões". Ou seja, a consulta pública e o seu resultado, contrário ao que queria o governo federal, parece não ter servido, não atendeu aos interesses do governo: não vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, ou se assim o fizesse que fosse necessária recomendação médica.

Realizadas a consulta pública e a audiência pública, o Ministério da Saúde agora diz que vai desistir de cobrar prescrição médica para a referida vacinação, segundo auxiliares do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ministro que, por sinal, alguns especialistas já o consideram como o pior ministro da saúde da história do Brasil. Dizem alguns que ele superou, pra pior, o antigo ministro da pasta, general Eduardo Pazuello que teve como um dos critérios para sua nomeação ser “especialista em logística”, enquanto esse [Queiroga] é médico de formação.   

Fato é que sempre contra a vacinação de brasileiros contra a Covid-19 (idosos, adultos, adolescentes ou crianças), o governo brasileiro relutou e reluta para adquirir e vacinar seu povo, independente da faixa etária. Inicialmente o presidente negou a existência do vírus, disse se tratar de uma gripizinha, recusou vacinas (fosse da China, do “Dórea”, como o presidente chamou a Coronavac, enfim...) duvidou do uso de máscaras, provocou aglomerações, culpou todo e qualquer político que adotou medidas de enfrentamento ao novo coronavírus, diz que não se vacinou, disse que não haveria vacina para todos os brasileiros e que ninguém era obrigado a se vacinar; afirmou não ser coveiro, questionou “e daí quer que eu faça o quê?” Enfim, a lista negacionista é enorme, tal qual o número de mortos por Covdi-19 no Brasil (619.641 até  quinta-feira, 6). 

Por fim, diante de todo esse triste cenário que o mundo e o Brasil ainda vivem com a pandemia do novo coronavírus; com as ameaças do presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de divulgar o nome de pessoas da Anvisa que votaram favorável à imunização de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 no Brasil; depois do presidente sugerir haver interesses por trás da aprovação da imunização infantil pela Anvisa, o presidente agora chama os técnicos do órgão de "tarados por vacina".

E PRA “RESOLVER?”

Pra resolver, depois de todo esse imbróglio, e após curtir férias no litoral sul do Brasil, ser internado com problemas de saúde e, um dia após o Ministério da Saúde anunciar a inclusão de crianças e adolescentes de 5 a 11 anos no plano de vacinação contra a Covid-19, na quinta-feira, 6, segundo o R7, o presidente criticou a medida, questionou o interesse por trás da imunização infantil, disse desconhecer mortes pela doença nessa faixa etária e informou que sua filha, Laura Bolsonaro, não será vacinada. Ou seja, continua a escalada presidencial contra a vacinação. 

E fez sua própria consulta, "Eu pergunto: você tem conhecimento de criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho. Na minha frente tem umas dez pessoas, se alguém tem conhecimento, levanta o braço. Ninguém levantou o braço", disse Bolsonaro. Sendo assim, para o presidente está resolvido. 

Enquanto isso, desde o dia 16 de dezembro, quando a Anvisa aprovou a vacinação aqui tratada até os dias atuais, já se vão 20 dias e até agora o Ministério da Saúde anunciou a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 no Plano Nacional de Operacionalização para janeiro deste ano com intervalo de dois meses (oito semanas) entre a primeira e a segunda dose, sem, no entanto, dizer que dia exatamente começa a vacinação de fato. É possível que o tempo perdido ultrapasse 30 dias desde a aprovação da Anvisa. Estamos de olho, afinal, creio que como eu tem muitos “tarados por vacinas” Brasil afora. 

 

Por Carlos Alberto professor e radialista 

 

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