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Justiça Condenada

Mulher condenada por ofensas homofóbicas responde por mais 5 crimes

Antes de viralizar nas redes sociais no ano passado, quando foi filmada agredindo e ofendendo, com palavras racistas e homofóbicas

12/10/2021 07h45
Por: Ana Meire Fonte: Conectado News
Foto: Reprodução/Redes sociais/Arquivo pessoal
Foto: Reprodução/Redes sociais/Arquivo pessoal

Antes de viralizar nas redes sociais no ano passado, quando foi filmada agredindo e ofendendo, com palavras racistas e homofóbicas, clientes e funcionários de uma padaria em São Paulo, Lidiane Brandão Biezok, de 45 anos, já era acusada de xingar e cometer agressões contra pessoas em locais públicos (saiba mais abaixo).

Levantamento feito pelo g1 a partir de boletins de ocorrência e processos mostra que, além de protagonizar o ataque na padaria Dona Dêola, em 2020, Lidiane ou seu nome foram parar em delegacias ou na Justiça por mais cinco casos que a envolvem em crimes de lesão corporal, resistência, injúria, calúnia, difamação e até furto.

O caso mais antigo deles é de 2005, quando ela foi acusada de ofender policiais e um taxista em São Paulo, segundo fontes da reportagem.

Entre as demais acusações estão: agredir um casal num navio, durante cruzeiro marítimo na Bahia, em 2018. Dois anos antes, Lidiane foi presa por furtar roupas de um shopping num bairro nobre de São Paulo.

Em 2017 e no ano seguinte, a mulher foi acusada de ofender e agredir clientes e policiais num restaurante e em um bar na capital paulista.

O g1 não conseguiu falar com Lidiane ou com sua defesa até a última atualização desta reportagem.

Veja abaixo datas, locais e quais são os crimes atribuídos a Lidiane:

Injúria racial, lesão corporal e homofobia em novembro de 2020

Capital de São Paulo

Boletim de Ocorrência (BO) registrado no plantão do 91º Distrito Policial (DP), Ceasa (crimes ocorreram na área do 23º DP, Perdizes)

Lidiane Biezok foi presa em flagrante pela Polícia Militar (PM) por injúria racial, lesão corporal e homofobia contra quatro pessoas depois de reclamar do lanche dentro da padaria Dona Deôla, Zona Oeste de São Paulo. O caso ocorreu em 20 de novembro de 2020. A mulher foi levada para uma delegacia.

Vídeos gravados por testemunhas e que circulam nas redes sociais mostram Lidiane dizendo ser “advogada internacional” e usando palavras homofóbicas e racistas para ofender dois clientes e dois funcionários. Ela ainda agride um dos frequentadores, atira objetos nos empregados e quebra uma TV.

“Eu não tô falando mais de p* nenhuma. Então aqui é uma padaria gay?. Eu não tô falando p* nenhuma. Seu f* da p*. Você quer me atacar seu f* da p*", diz a mulher nas imagens, quando agride Ricardo, que não reagiu.

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lidiane não possui registro para advogar. De acordo com policiais, ela cursou direito na Universidade Mackenzie em 2003, quando se tornou bacharel, mas não fez a prova da OAB.

Atualmente Lidiane é ré no processo criminal desse caso. Ela responde em liberdade. Em entrevista à TV Globo, em 2020, pediu desculpas às vítimas e também alegou que sofria de bipolaridade e depressão.

“Esse problema de depressão é genético, é grave, não é uma depressãozinha, entendeu? É uma depressão para o resto da vida, é bipolaridade. É uma coisa complicada, é complexo”, disse Lidiane por telefone na ocasião.

"Eu gostaria muito, muito mesmo de dar um abraço neles e falar: 'Desculpa, cara. Desculpa, perdão'", declarou a mulher, que se disse arrependida e que não quis ofender nem agredir ninguém.

Por causa dessas declarações e outras informações no processo, a Justiça suspendeu em maio a prisão domiciliar que Lidiane cumpria pelos crimes. Determinou também que ela passe por exame de insanidade mental por suspeita de que possa ter alguma doença psiquiátrica. O teste ainda não foi feito.

Em setembro deste ano, Lidiane foi condenada pela Justiça, na esfera cível, a pagar indenização de R$ 5 mil por dano moral ao balconista da padaria por tê-lo xingado com ofensas homofóbicas.

A mulher ainda responde a mais dois processos judiciais por danos morais. Um é movido por uma atendente da Dona Deôla, que pede R$ 200 mil de indenização por ter sido ofendida por Lidiane. A outra ação indenizatória é feita por dois clientes: eles querem R$ 60 mil. Até a última atualização desta reportagem, não havia nenhuma decisão da Justiça sobre os dois pedidos.

Lesão corporal em dezembro de 2018

Bahia

Lidiane e uma irmã mais nova foram acusadas por um homem de lesão corporal por agredi-lo e baterem num casal durante uma discussão na piscina de um navio, durante um cruzeiro marítimo da MSC Turismo pela Bahia. O motivo da briga: uma toalha. O caso ocorreu em 19 de dezembro de 2018.

O homem, que mora em São Paulo, registrou a queixa em janeiro de 2019 numa delegacia da capital paulista. Ele alegou que tentou impedir as duas mulheres de baterem num homem e sua esposa, mas elas lesionaram seu dedo. E uma delas mordeu o marido da mulher.

Lesão corporal em maio de 2018

Lidiane e a irmã foram algemadas pela PM por suspeita de terem cometido lesões corporais contra um empresário, dono de um bar onde elas estavam, e uma policial. O estabelecimento fica na Vila Madalena, tradicional bairro boêmio da Zona Oeste de São Paulo. O caso ocorreu em 4 de maio de 2018 e foi parar na delegacia.

Segundo o registro policial, os policiais tinham sido chamados pelo proprietário depois que as irmãs, “visivelmente embriagadas”, “quebraram copos e agrediram outros consumidores com tapas”.

Entre as vítimas estavam dois homens que haviam se sentado com elas na mesa e que foram embora após discutirem com as mulheres e serem agredidos por elas, de acordo com o BO. Os dois pagaram R$ 100 da conta e o dono do bar afirmou à polícia que as irmãs se recusaram a pagar o restante do total consumido: R$ 257.

O boletim de ocorrência informa também que as duas arranharam a policial. E que Lidiane jogou o sapato na testa do empresário. Depois, xingaram os PMs de “seus policiais de b*” e “profissão de m*”.

Em suas defesas, a irmã mais nova falou à polícia que a confusão começou quando Lidiane “declarou apoiar politicamente o candidato Jair Bolsonaro”. Em seguida, segundo ela, cerca de 30 pessoas passaram a agredi-la. Falou ainda que garrafas foram quebradas e que os cacos de vidro no chão cortaram seus pés.

A irmã também afirmou que “Lidiane possui transtorno bipolar”, mas “não xingou os policiais militares”, que usaram algemas e gás pimenta para detê-las. Elas negaram ter agredido o dono do bar. Sobre a conta, disseram que os homens que estavam com as duas já tinham pago.

Resistência em fevereiro de 2017

Segundo policiais militares, Lidiane os chamou de “sem vergonha”, quando eles foram abordá-la após algumas pessoas denunciarem que ela estava “tumultuando” o restaurante Senzala, em Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

Tentativa de furto em abril de 2016

Lidiane foi presa em flagrante por suspeita de furtar roupas da Zara do Shopping Bourbon, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. O caso ocorreu em 5 de abril de 2016. O crime foi registrado como tentativa de furto na delegacia já que as peças foram recuperadas e devolvidas à loja depois.

Segundo a gerente da loja, a mulher dizia frases desconexas em voz alta quando entrou na loja. E, de acordo com o registro policial, uma das vendedoras notou que Lidiane tirou o alarme de peças de vestuário e saiu com elas do estabelecimento.

Os seguranças do shopping foram acionados e detiveram a mulher com três camisas e um blazer, no valor de R$ 816. A PM foi chamada em seguida.

Na delegacia, Lidiane confessou o crime e afirmou que era portadora de transtorno mental e compulsões. E que estava passando por um período de crise de abstinência de remédios de uso contínuo. Ela contou ainda que não estava tomando a medicação porque não tinha condições financeiras para comprá-la.

Segundo a polícia, a mãe da suspeita foi ao 14º DP e confirmou a condição psiquiátrica da filha, apresentando relatório médico dos remédios tomados por ela. Lidiane foi autuada e liberada após o pagamento de fiança no valor de R$ 450.

Injúria, calúnia e difamação em 2005

Lidiane já foi ré num processo por injúria, calúnia e difamação que correu na 6ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Por decisão da Justiça, o caso foi suspenso em 2005. “Julgo extinta a punibilidade da acusada”, informa trecho da decisão judicial.

Segundo policiais ouvidos pelo g1, ela tinha sido processada à época depois de ofender com palavras racistas uma policial civil e xingar uma policial militar. As duas tentavam falar com Lidiane depois que um taxista a acusou de não querer pagar a corrida do táxi que ela havia pedido. O caso foi parar numa delegacia na Lapa, onde a mulher foi ouvida.

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