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Política Segurança Pública

Ex- Comandante Geral da PM critica justiça e diz que Código Penal é frágil

O ex-comandante propõe um novo modelo de Segurança Pública

03/08/2022 17h55 Atualizada há 1 semana
Por: Hely Beltrão Fonte: Conectado News
Foto Edvaldo Peixoto
Foto Edvaldo Peixoto

O ex-comandante da Polícia Militar da Bahia Anselmo Brandão esteve na manhã desta quarta-feira (03), no Programa Levante a Voz da Rádio Sociedade News FM 102.1. Em entrevista, Anselmo ressaltou que o problema da Segurança Pública não ocorre só na Bahia, mas no Brasil como um todo e que é preciso mudar o sistema. 

Integrante da PM há 38 anos, Anselmo Brandão foi comandante geral da entidade por 6 anos, até janeiro deste ano quando foi substituído por Paulo Coutinho. Brandão liderou ainda a Academia de Polícia Militar, a 11ª Companhia Independente da Barra, a 10ª Companhia Independente de Candeias e o 18º Batalhão da Polícia Militar do Centro Histórico. Anselmo Brandão é candidato a deputado federal pelo AVANTE.

"Estamos percorrendo todo o Estado, levando a nossa proposta, tenho levado a temática da segurança aos meus amigos e colaboradores dizendo que temos de repensar a segurança no país, o problema da segurança não é só na Bahia, esse modelo atual é muito preocupante porque estamos vivendo uma situação muito difícil, diante de muita insegurança jurídica, e ausência do Estado em muitas ações infelizmente, sempre quem paga o pato são as polícias, principalmente a Polícia Militar. A todo momento somos cobrados, mas a sociedade tem que cobrar de algumas instituições que infelizmente não tem feito a sua parte, é o caso da justiça, onde vemos um verdadeiro descalabro, considerando a grande quantidade de pessoas delinquindo, e o modelo de justiça que temos hoje, soltando, liberando e deixando a sociedade refém do crime infelizmente", disse.

Se fala muito em justiça e se esquecem dos que fazem as leis, os deputados. O  problema não está na escolha por parte da população dos seus representantes?

Anselmo Brandão - Com certeza, se hoje temos uma justiça e um Código Penal frágil e ultrapassado é porque algumas pessoas que lá passaram e que lá estão não tem colocado dentro do seu mandato, sua posição, algo que venha transformar, vejo  poucos deputados tratando de Segurança Pública nesse país e falar de leis, na Bahia  alguns senadores que falam, alguns deputados, porque o papel do deputado é  falar, externar. Por exemplo, ontem mesmo morreu uma criança em Salvador, infelizmente um crime que chocou o país, mas você não vê um parlamentar chegar na imprensa aqui em Feira de Santana, ou que representa a região e dizer: quero entrar no seu programa para me consternar, lamentar, uma das mulheres que matou a criança, quantas vezes cometeu crimes? Está aí solta. Não queremos buscar culpados, mas ela tinha certeza da impunidade,  atirou na criança e não levou o celular, infelizmente nesse país só nos sensibilizamos quando morre uma criança, um idoso e o crime está acontecendo todos os dias".

O Sr. disse que o atual modelo de segurança pública está ultrapassado. Qual o novo modelo que o Sr. propõe?

Anselmo Brandão - Quando falo do modelo é o sistema como um todo. Segurança Pública tem que  ser trabalhada em três vertentes: a primeira é o enfrentamento do crime, estamos na ponta, Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Polícia Penal, o que falta  hoje e desde a minha época, é que às vezes essas peças não dialogam, devemos ter uma inteligência forte, um judiciário que dialogue conosco, e isso não acontece somente por vaidade. Como é que se libera um dos maiores assaltantes de banco da Bahia,  por motivo de COVID? O cara foi para casa, prisão domiciliar. Ele aproveitou e foi para o Paraguai de lá administrando crimes e facções na Bahia, esse cara morreu. Se tivesse uma interlocução entre o Judiciário, o Ministério Público e a nossa PM isso não teria acontecido, não entrando no mérito do juiz, que segue a letra fria da lei. Conheço juízes, promotores, temos que fazer uma força tarefa para fazer a primeira contenção. A segunda é relativa aos órgãos do estado, temos diversos programas que estão parados, esses jovens sem aulas, depressivos, se mutilando, as crianças não tem espaço, não há participação da família, professores desmotivados. A terceira é de longo prazo, não se faz Segurança Pública sem emprego, inclusão social, as pessoas estão desempregadas, morrendo e alguns  fazendo politicagem, falam o tempo todo de gênero, por que a Anitta disse isso, o cantor falou aquilo, não gosto de A, não gosto de B, enquanto as pessoas estão morrendo precisando do nosso suporte, é essa a forma de se fazer política no país.

Confira a entrevista na íntegra em nosso podcast.

Reportagem: Luiz Santos, Nivaldo Lancaster e Hely Beltrão

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