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Economia Inflação

"Nada é tão ruim que não possa piorar", diz economista sobre mudança no Ministério de Minas e Energia

Mudança foi publicada no Diário Oficial da União de Hoje

11/05/2022 11h38 Atualizada há 2 semanas
Por: Hely Beltrão Fonte: Conectado News
Foto Linkedin
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Foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (11) a exoneração de Bento Albuquerque, da pasta de Minas e Energia, assumindo em seu lugar, Adolfo Sachsida, número 02 da Economia, abaixo apenas do ministro Paulo Guedes.

A dúvida agora é: como ficará a questão do preço dos combustíveis com o novo ministro? Vai ter aumento?. O Conectado News entrevistou o professor de economia da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) Antônio Rosevaldo, que não deu um cenário otimista sobre a mudança no Ministério.

Antônio Rosevaldo comentou sobre a resistência do ministro anterior a alguns projetos que tramitam na Câmara dos Deputados, "O Bento Albuquerque vinha resistindo internamente a um projeto para doar 100 bilhões ao centrão, que envolve o investidor Carlos Suarez, proprietário de algumas distribuidoras de gás, os deputados colocaram um jabuti no projeto de lei, do qual o ministro não era favorável, não aceitaria o pacote como estava tentando se fechar no Congresso. Este Projeto de Lei cria uma regra que garantiria a construção de um Gasoduto. Ele foi demitido, e agora assume o Adolfo Sachsida, o número 02 no Ministério da Economia, um economista ligado ao mercado financeiro", disse.

O professor de economista citou uma das leis de Murphy (engenheiro envolvido em testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves) para ilustrar o quanto o cenário pode piorar nos próximos meses: "Nada é tão ruim que não possa piorar". "Segundo a lei de Murphy  nada é tão ruim que não possa piorar. Já estava ruim com Bento Albuquerque, a tendência é se tornar pior. Vamos ver como se comporta o Sachsida, economista de confiança do Paulo Guedes, alguém que pode priorizar o mercado, e a  população tem muito a perder", afirmou.

Indagado sobre os efeitos do cenário econômico nas eleições  deste ano, Antônio Rosevaldo foi enfático, ao dizer que os projetos que tramitam na Câmara sobre o tema e as ações de isenção do governo não são efetivas para resolver os problemas, "O problema econômico existe e com certeza as equipes de marketing de campanhas tentarão usar esse fato, mas uma coisa é certa: o problema dos combustíveis não se resolve a curto prazo, existem 04 projetos de lei no Congresso Nacional que não contemplam uma solução real, são paliativos, reduzir impostos causa um problema sério com isso, pois, diminui provisoriamente o preço dos combustíveis e do gás de cozinha, segundo os Estados tem a fonte de receita própria advinda do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis, é uma alíquota cara? É. Precisamos rever isso. Existem propostas bem melhores do que essas, basta olhar por exemplo outros países como tratam a questão, um modelo bem interessante a respeito, de um estoque regulador, com impostos variáveis, uma parte fixa e uma parte variável, se o preço do combustível sobe o imposto reduz e mantém o preço constante do combustível", ratificou.

"Você imagina um automóvel, quando você pisar no freio e o mesmo tempo acelerar, o efeito é nulo praticamente. O Banco Central que cuida da política monetária e aumenta a taxa de juros para combater a inflação da demanda, ou seja onde as pessoas consomem. Mas, se as pessoas estão sem dinheiro para comprar? Então, o Governo Federal dá isenção de impostos, Auxílio Emergencial e cria uma maneira de estimular o consumo das pessoas, você aumenta a demanda do Governo e o Banco Central diminui a demanda com a taxa de juros. Qual o resultado? Com a taxa de juros maior, cresce a dívida pública, sai mais dinheiro dos cofres federais para pagar a dívida por conta dos juros maiores, incentiva as pessoas a gastarem, ao invés de produção e geração de empregos. E o Governo zera imposto, fazendo tudo para que o consumo aumente. A inflação de hoje, é uma inflação de custos, dependemos muito de insumos importados, e agora com a guerra na Ucrânia, não estão chegando os fertilizantes para a produção agrícola, temos uma estimativa de safra muito boa este ano, e safra boa reduz o  preço dos produtos, mas acabamos com a produção de fertilizantes no Brasil com o aluguel da fábrica da Petrobras,  estamos importando fertilizante, que está caro e não está chegando e isso complica", finalizou.

Reportagem: Luiz Santos e Hely Beltrão

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