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Artigo Brasil

Polarização político e partidária têm ganhado força no Brasil

Por professor Zaqueu Silva

25/11/2021 11h03 Atualizada há 2 meses
Por: Ana Meire Fonte: Conectado News
Foto divulgação
Foto divulgação

Não é novidade para ninguém que o Brasil vive um momento em que a polarização político/partidária tem ganhado cada vez mais força, as tensões entre os esquerdistas e direitistas, ou entre a esquerda caviar e os coxinhas (se você preferir) tem levado, em muitos casos, a ânimos exaltados, discussões acaloradas e muitas brigas em grupos de famílias ou de amigos no whatsapp.

Claro, esses conflitos não são tão novos assim, já que as brigas e confusões envolvendo candidatos políticos e seus aliados são históricas no Brasil. Não é exagero dizer, que todo mundo já ouviu falar, ou mesmo presenciou confusões entre eleitores nas épocas de campanhas eleitorais no Brasil afora.

Sabemos que essas tensões não são apenas o calor da disputa, nem picuinha pessoal (não que não tenha também) mas sim, são disputas de interesses, de pontos de vista, de visões de mundo, em fim, são projetos de sociedade em conflito.

E quando se fala de visão de mundo e projeto de sociedade, fala-se também da educação. E a educação brasileira também tem sido palco histórico de conflitos e tensões, desde as disputas feitas pelos movimentos negros e indígenas por acesso à educação de qualidade e pelo direito de ter sua história contada na escola, oque resultou nas leis 10.639 e 11.645, até as propostas feitas por grupos de extrema direita como o projeto de Lei nº. 7180/2014 conhecido como escola sem partido.

Este último, o escola sem partido, nasceu das tensões mais recentes entre os esquerdistas e os direitistas, e tem causado constrangimento e perseguição às professoras e professores no nosso país. Nas últimas semanas, dois casos chamaram a atenção da população; o primeiro ocorrido em Salvador – BA na última sexta feira dia 19/11 no Colégio Estadual Thales de Azevedo (CETA), no bairro do Costa Azul e o segundo ocorrido em Feira de Santana - BA no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, centro. 

Em ambos casos, os docentes foram denunciados por ministrar conteúdos de esquerda em sala de aula, ou seja, foram denunciados por esquerdismo. As denúncias partiram de alunos, que alegavam não concordar com o debate sobre gênero, raça ou conflitos sociais em sala de aula. Mas o que há por trás dessas denúncias, será que estamos diante de uma disputa pelo tipo de currículo escolar a ser veiculado nas nossas escolas? 

Não é exagero dizer que as denúncias contra professor são mais um sinal do acirramento das tensões e do avanço na briga entre os grupos políticos na luta pelo controle do país, ou seja, pelo controle da formação das nossas crianças que são o “futuro do nosso país” (já dizia o ditado). Para você que lê esse texto, eu deixo uma questão: Num país em que os casos de feminicídio são diários, os assassinatos motivados por homofobia são constantes e os crimes de racismo são históricos, qual futuro defende alguém que luta que para impedir que professores debatam em sala de aula os problemas envolvendo os direitos humanos, das mulheres, dos lgbtqia+, das populações negras e indígenas?

Por professor Zaqueu Silva, Licenciatura em História pela UEFS, Mestre em História social PPGH-UFAL,Doutorando em História Social PPGH-UFBA,membro do LABELU-UEFS,Conselho editorial de A-pala revista e membro do NEABI-UEFS

Foto Arquivo pessoal

 

 

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